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O REINO DÁCIO

De Burebista a Decebalus: reis de Sarmizegetusa Regia

Antes de Roma chegar, dois reis dácios moldaram esta capital — Burebista, que a fundou, e Decebalus, que a defendeu contra Trajano até cair em 106 d.C.

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Burebista une os dácios

Na primeira metade do século I a.C., o rei dácio Burebista uniu pela primeira vez sob um único domínio um mosaico de tribos espalhadas pelos Cárpatos e pelo baixo Danúbio, construindo um reino poderoso o suficiente para inquietar a Roma de Júlio César. Burebista transferiu o centro sagrado e político do reino para Sarmizegetusa, nas Montanhas Orăștie, lançando as bases da fortaleza e dos santuários que os visitantes veem hoje. O seu assassinato em 44 a.C. — no mesmo ano do de César — fragmentou o reino em territórios menores e rivais durante várias décadas, desfazendo grande parte do que ele havia construído numa única geração.

Decebalus reconstrói um reino

A Dácia permaneceu dividida até Decebalo subir ao trono por volta de 85 d.C. e a reunificar num único Estado disciplinado, com Sarmizegetusa Regia restaurada como capital e centro religioso. Não perdeu tempo a testar Roma, liderando incursões através do Danúbio na província da Mésia e matando o seu governador, Oppius Sabinus, num dos confrontos iniciais do que viria a ser um conflito de décadas. Os historiadores antigos descrevem-no como um estratega genuinamente formidável, hábil tanto na guerra aberta como na negociação, razão exata pela qual Trajano acabou por precisar de duas guerras completas, e não apenas uma, para o afastar do poder.

Duas guerras com Trajano

Trajano enfrentou Decébalo em duas campanhas distintas: a Primeira Guerra Dácia (101–102 d.C.), que terminou com um tratado que obrigava Decébalo a demolir as suas próprias fortificações e a aceitar duras condições romanas, e a Segunda Guerra Dácia (105–106 d.C.), desencadeada quando Decébalo reconstruiu as suas defesas e retomou as hostilidades contra o espírito do tratado. A segunda campanha foi travada a uma escala muito maior, com Trajano a trazer uma força legionária esmagadora e decidido, desta vez, a pôr fim definitivamente à independência dácia, em vez de negociar outra trégua instável. É esta segunda guerra que termina às portas da própria Sarmizegetusa Regia, sem que seja oferecida uma terceira oportunidade.

A queda da capital, 106 d.C.

Em 106 d.C., as legiões romanas cercaram Sarmizegetusa Regia e, segundo relatos, cortaram o abastecimento de água que alimentava a fortaleza até que as suas defesas finalmente cederam sob pressão. Decebalo escapou à queda da sua capital, mas, de acordo com o historiador romano Cássio Dio, tirou a própria vida em vez de ser capturado quando a cavalaria romana o alcançou nas montanhas circundantes. Com Decebalo morto e a capital tomada, a Dácia foi formalmente anexada como província romana — pondo fim a uma das guerras mais longas, mais disputadas e mais custosas de todo o reinado de Trajano, e remodelando a região dos Cárpatos durante séculos.

Coluna de Trajano, esculpida em pedra

Roma celebrou a vitória com a Coluna de Trajano, um monumento de mármore com 30 metros que ainda hoje se ergue na cidade, envolvido por um friso em relevo espiralado com cerca de 190 metros de comprimento que retrata as campanhas dácias com um detalhe notável, quase documental — cercos, travessias de rios, muralhas das fortalezas dácias e o próprio Decébalo apresentado como um adversário digno, e não como uma caricatura. Os historiadores tratam a coluna como um dos mais ricos registos visuais sobreviventes de qualquer guerra antiga, e continua a ser a principal razão pela qual conseguimos imaginar como seriam as defesas de Sarmizegetusa Regia em uso ativo, já que os seus escultores trabalharam claramente a partir de relatos autênticos das campanhas e de esboços de campo.

O que aconteceu à Dácia

Depois de 106 d.C., o território conquistado tornou-se a província romana da Dácia, administrada a partir de uma cidade recém-construída a cerca de 40 quilómetros de distância, que Trajano batizou propositadamente com o nome da capital dácia que acabara de destruir. A própria Sarmizegetusa Regia foi abandonada como centro de poder, mas nunca foi totalmente apagada da memória — as suas muralhas, santuários e o Sol de Andesito sobreviveram silenciosamente sob a cobertura da floresta durante quase dois mil anos. Desde 1999, a UNESCO protege o local como o vestígio mais completo do reino que Burebista fundou e que Decébalo acabou por morrer a defender contra Roma.

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